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Um mundo que, por acaso, não é como deveria ser: crítica e explicação em Axel Honneth

Luiz Philipe de Caux

Autor
Luiz Philipe de Caux
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
1 / 30
Ano
2017
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v1i30p165-180
Páginas
165-180
Idioma
pt-BR
2017Luiz Philipe de Caux. Um mundo que, por acaso, não é como deveria ser: crítica e explicação em Axel Honneth. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 1, n. 30, p. 165-180, 2017.2

O artigo problematiza o êxito do momento crítico do modelo da reconstrução normativa como pensado por Axel Honneth. Para tanto, destaca da obra de Honneth seus diagnósticos de tempo e elaborações conceituais dedicadas às patologias sociais em sentido amplo, incluindo patologias da liberdade individual, reificação, reconhecimento ideológico, paradoxos e desenvolvimentos normativos desviantes. Relacionando a crítica de patologias sociais ao funcionalismo normativo ao qual Honneth assente, bem como às premissas de fundo da reconstrução normativa, o artigo tenta mostrar que, em razão de seu conceito estrito do social, Honneth precisa limitar o momento crítico de seu modelo à autocrítica da autocompreensão de um mundo da vida contextual no interior do qual a teoria está inserida. O artigo busca, em particular, responder à questão sobre porque Honneth abandona o conceito de desenvolvimento paradoxal e, pouco tempo depois, passa a se valer do conceito de desenvolvimento desviante (Fehlentwicklung). Nessa substituição de conceitos, são encontrados elementos que reforçam a conclusão de que, em razão das referidas restrições, Honneth não pode coerentemente dispor de ferramentas que lhe possibilitem explicar por que aquilo mesmo que é o objeto da crítica, não obstante, existe, e por certo de maneira sistemática, apesar de entrar em contradição com os fundamentos da integração social.  Questiona-se assim a potência crítica do modelo honnethiano a partir de sua incapacidade explicativa.