- Autor
- Diego Andrade Nascimento
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 17 / 43
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2025.v17n43.p79-106
- Páginas
- 79-106
- Idioma
- pt
Quando falamos em uma finalidade na natureza, a defesa de um télos determinista costuma estar sempre presente nas diversas teleologias. Ainda assim, existem teorias que propõem uma finalidade indefinida. Nessa divisão, poderíamos colocar Adam Ferguson na esteira de um télos determinista, ao defender um design na natureza; no entanto, isso seria incorreto e até difícil de reconciliar com a ideia de declínio das sociedades. Para Ferguson, analogamente ao processo de envelhecimento dos seres humanos, as sociedades também “envelhecem” (decaem), embora não pereçam tal como os homens, pois cada geração que nasce renova a sociedade. Assim, a renovação e o declínio das sociedades só se tornam inteligíveis enquanto dinâmica histórica se o télos da sociedade fosse indefinido. Desse modo, o objetivo deste texto é evidenciar que a filosofia fergusoniana embora admita uma finalidade na natureza, não empreende esforços para defender um telos determinista, mas sim um télos indefinido. Para isso, dividiremos o texto em três partes: i) argumentamos que o conteúdo da finalidade é indefinido; ii) apresentaremos as consequências dessa finalidade indefinida; e iii) faremos críticas às teleologias defendidas, ou rejeitadas, por outros comentadores, a saber: Craig Smith, Lisa Hill e Eveline Hauck.
