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Teses

""""Uma conversação premeditada"""". A essência da história na metafísica de Descartes

MARCO ANTONIO VALENTIM

Tese
Autor
MARCO ANTONIO VALENTIM
Orientador(a)
GILVAN LUIZ FOGEL
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2007
2007MARCO ANTONIO VALENTIM. """"Uma conversação premeditada"""". A essência da história na metafísica de Descartes. 2007. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): GILVAN LUIZ FOGEL.2

A presente tese pretende encaminhar duas questões. A primeira: como é possível. existencialmente uma relação histórica com o nosso próprio passado, representado pelo pensamento de Descartes? A segunda, subordinada à primeira: como o pensamento de Descartes, localizado nas Meditações de filosofia primeira, justifica a relação com seu passado, ontologicamente entendido como fundamento de determinação do próprio pensar? Articulando as duas questões, tenta-se realizar uma experiência de historicidade, na forma de uma repetição do passado, através da interpretação da meditação cartesiana em seus principais momentos, previamente indicados como elementos de estruturação do fenômeno histórico. Assim, a tese assume como sua tarefa principal liberar o acesso à historicidade essencial da meditação cartesiana, tarefa a ser executada em dois níveis: o da forma da compreensão que se destina a encontrar, através da lembrança, o seu próprio passado no pensamento de Descartes e o do conteúdo desse pensamento, focalizado na noção de representação e explicitamente retomado na perspectiva da historicidade. Quanto ao segundo nível de execução dessa. tarefa, a tese concentra-se na interpretação da Segunda e da Terceira Meditação, procurando na temporalidade do pensamento meditativo o vínculo essencial entre o ser finito do ego e o ser infinito de Deus. Nesse sentido, a anterioridade ontológica de Deus em relação ao ego é apresentada como a essência mesma da história e, em última instância, como o fundamento da possibilidade de uma relação histórica de destinação entre Descartes, nosso antepassado, e nós mesmos, seu futuro. Por fim, partindo da analítica existencial de Heidegger e tomando como exemplo a meditação cartesiana, a tese pretende chegar a um conceito de metafísica no qual ela é pensada como transcendência essencialmente constitutiva da historicidade.