Voltar para Artigos
Artigos

Utopia, história e profecia: o joaquimismo como filosofia do Brasil

Noeli Dutra Rossato

Autor
Noeli Dutra Rossato
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
25
Ano
2021
DOI
10.36517/Argumentos..25.61499
Páginas
185-198
Idioma
pt
2021Noeli Dutra Rossato. Utopia, história e profecia: o joaquimismo como filosofia do Brasil. Argumentos - Revista de Filosofia, n. 25, p. 185-198, 2021.1

O texto assume que a concepção de história das vertentes utópica e profético-milenarista são constitutivas não só do mito fundador do Estado brasileiro, senão que também de nosso pensamento filosófico mais autêntico; e que, em suas origens, encontramos a obra do abade Joaquim de Fiore (1135-1202). Em um primeiro momento, procuramos mostrar que uma das expressões da vertente utópica em nossa cultura provém das populares Festas do Império do Divino Espírito Santo de tradição luso-brasileira que tem raízes no joaquimismo medieval. A vertente profético-milenarista, por sua vez, entronca na obra do jesuíta Antônio Vieira (1608-1679) e se consolida mediante a absorção da herança utópica do joaquimismo, mesclada com elementos apocalípticos e sebastianistas. Por fim, tomamos alguns passos do romance A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna (1927-2014), que, a nosso ver, articulam o núcleo principal da vertente utópica com a teoria do Quinto Império e o milenarismo.