- Autor
- Antonio José Pereira Filho
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 2 / 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2025v2n2p47-65
- Páginas
- 47-65
- Idioma
- pt
Em algumas de suas obras, como é o caso do De nostri temporis studiorum ratione, Vico enfatiza a necessidade de se resgatar, em âmbito moderno, alguns preceitos da medicina hipocrática e faz duras críticas à “medicina cartesiana” praticada em sua época. Como entender o resgate que Vico propõe da medicina hipocrática em contexto moderno?Para responder a essa questão, dividiremos nossa exposição em três momentos. Inicialmente, apresentaremos em linhas gerais em que sentido a relação entre natureza e história pode ser vista na obra do pensador napolitano, uma vez que a interpretação historicista que se faz de Vico parece dar pouca margem para suas considerações sobre as investigações no campo da ciência natural. Em seguida, abordaremos o caso da medicina, que nos parece fecundo para indicar alguns aspectos importantes da posição de Vico em face do mecanicismo cartesiano. Por fim, indicaremos em que sentido Vico faz a defesa da medicina hipocrática. Mostraremos, assim, que, para Vico, a medicina dos antigos parece ter contribuído decisivamente para temas fecundos ao construir uma tópica que destaca a prevenção, o que permite compreender não apenas o sentido de sua crítica ao mecanicismo cartesiano, mas igualmente levanta questões importantes para o nosso tempo.
