- Autor
- Mariano Bay de Araújo
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 14 / 36
- Ano
- 2022
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2022.v14n36.p340-352
- Páginas
- 340-352
- Idioma
- pt
Na primeira parte da definição de virtude moral, na Ética Nicomaqueia, Aristóteles afirma que a virtude deve ser uma emoção (pathos), uma capacidade (dynamis), ou uma disposição (hexis) e apresenta um argumento com o objetivo de sustentar que a virtude é uma disposição. Uma maneira de tentar entender o que acontece em II.5 é observar que Aristóteles está lidando com qualidades e buscar nas Categorias uma explicação para o que é feito na EN. Ainda que ajude a entender em geral o que são afecções (pathe), capacidades e disposições, o recurso às Cat. não dá conta de certas especificidades do contexto da EN. Cat. não fornece nenhuma pista que nos ajude a entender, por exemplo, por que capacidades e disposições são caracterizadas em função das emoções. O objetivo deste artigo é propor uma leitura de EN II.5 que atente mais para o que é desenvolvido na própria EN do que em outros textos. Nesse sentido, sustentarei que o que está em jogo no referido capítulo é a relação entre virtude e emoção e que o resultado da primeira parte da definição da virtude moral é que a virtude é uma disposição emocional
