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Teses

Walter Benjamin: o olhar que vê sem ser visto

JOSÉ FERRAZ NETO

Tese
Autor
JOSÉ FERRAZ NETO
Orientador(a)
OLGÁRIA CHAIN FERES MATOS
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2004
2004JOSÉ FERRAZ NETO. Walter Benjamin: o olhar que vê sem ser visto. 2004. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): OLGÁRIA CHAIN FERES MATOS.2

O ponto de partida do trabalho são duas leituras do Gênesis feitas em diferentes épocas e com diferentes ênfases. A de Bacon, no início do iluminismo e a de Walter Benjamin, no século XX. As duas teorias do conhecimento resultantes são colocadas em confronto. A do filósofo inglês, ao pressupor uma dissolução do sujeito face a natureza, leva ao """"olhar que vê sem ser visto"""" que dá título ao trabalho. Benjamin vai se opor a esta vertente, e para entender a sua crítica passamos por sua teoria da linguagem e sobre a crítica à filosofia kantiana, em que o conhecimento baseado na relação entre sujeito e objeto é considerado delirante (wahnsinnig).A partir deste viés teológico é enfocada a tese 1 """"Sobre o Conceito de História"""" em que aparecem os personagens do autômato e do anão corcunda, explorados ao longo do texto. Em suporte a esta questão é abordado o tema do sinistro (Unheimlich) em Freud, em que o tema da repressão (Verdrängung) encontra sua aplicação na história, para isso são abordados os textos de Hoffmann O Homem da Areia, e de Kleist O Teatro de Marionetes em que a interpretação da primeira tese é aprofundada.A figura deformada do corcunda e a possibilidade de redenção da história nos remetem aos monstros kafkianos e o tratamento dado por este à esperança, que são tratados por Benjamin nos ensaios sobre Kafka, analisados neste ponto. Os monstros kafkianos vinculam-se ao mundo arcaico estudado por Bachofen e podem dar uma pista da interpretação do marxismo feita por Benjamin. Finalmente, as questões anteriores da linguagem, da teoria do conhecimento proposta, do autômato, do matriarcado tomam uma outra dimensão quando passamos a estudar a prostituta no Passagen-Werk em que a propaganda leva à questão do fetichismo e da sexualidade.