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Wittgenstein: A religião para além do silêncio

Marciano Adílio Spica

Tese
Autor
Marciano Adílio Spica
Orientador(a)
Darlei Dall´Agnol
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2009
2009Marciano Adílio Spica. Wittgenstein: A religião para além do silêncio. 2009. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, SC. Orientador(a): Darlei Dall´Agnol.2

O objetivo primeiro deste trabalho é apresentar e discutir as idéias de Wittgenstein a respeito da..religião a partir de suas concepções de linguagem, mostrando que ele não a condena a um silêncio absoluto...Para cumprir esta tarefa, mostramos, num primeiro momento, as idéias do autor sobre linguagem e religião à..época do Tractatus elucidando que suas idéias a respeito dos limites da linguagem não levam à condenação da..religião a um silêncio absoluto. Ao delimitar o campo do sentido e colocar a religião para fora deste campo,..Wittgenstein não a está condenando ao desaparecimento. Ao contrário, está salvando tal ramo da vida humana da..interferência da metafísica e da ciência. Seu objetivo é mostrar que a religião, assim como a ética e a estética,..não devem ser tomadas como se fossem um discurso científico e se isso for feito, tais atividades humanas..tendem a desaparecer, pois aquilo que realmente importa nestes discursos não pode ser expresso em proposições..figurativas. O Tractatus estabeleceu os limites do que pode e do que não pode ser dito, mostrou que devemos nos..abster de tentativas filosóficas e científicas de explicar e fundamentar a religião, pois esta é uma esfera da vida..humana que está ligada ao sentido da vida e não a critérios de verdade ou falsidade. A religião, para o jovem..Wittgenstein, dá um caminho a seguir, uma maneira de agir e uma forma de compreender e suportar o mundo..contingente dos fatos. Num segundo momento, apresentamos as idéias sobre linguagem e religião pós-Tractatus,..elucidando a possibilidade de jogos de linguagem religiosos e caracterizando tais jogos. Mostramos, também,..que neste período a religião é entendida como um saber autônomo que possui regras, práticas e uma gramática..própria. A religião é um saber eminentemente prático e continua, da mesma forma como o era na época do..Tractatus, ligada ao sentido da vida e não a critérios de verdade ou falsidade. Ao saber religioso não interessam..questões factuais e não há necessidade de teorias filosóficas que o justifiquem. Mostramos ainda, a forte..influencia do cristianismo tolstoiano nas concepções de Wittgenstein a respeito da religião, defendendo que esta..herança faz com que o filósofo em questão tenha uma concepção extremamente positiva do sentimento religioso,..atribuindo a ele o papel de dar uma resposta ao desejo humano por encontrar um sentido para a vida. Assim, ao..final de nosso trabalho, chegamos à conclusão que a obra de Wittgenstein, em nenhum momento, condena a..religião a um mutismo. Sua obra mostra a grande importância deste saber e a grande ligação do sentimento..religioso com a vida prática. Para ele, não importa ao religioso dizer que é religioso, o importante é que a vida..prática mostre a crença religiosa. É na ação, no dia-a-dia do crente religioso, que encontra-se o critério de..correção para sabermos se uma cumpre bem seu papel enquanto religiosa.