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A arte da escuta: Nietzsche pelos ouvidos de Derrida

Antonio Edmilson Paschoal

Autor
Antonio Edmilson Paschoal
Revista
Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211]
Edição
5 / 12
Ano
2021
Idioma
pt-BR
2021Antonio Edmilson Paschoal. A arte da escuta: Nietzsche pelos ouvidos de Derrida. Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211], v. 5, n. 12, 2021.1

Segundo Nietzsche, para compreendê-lo, é necessário escutá-lo, ouvi-lo com atenção. Uma recomendação que inicialmente parece soar estranha, pois sua filosofia está registrada em livros, mas que é considerada de forma muito especial por Jacques Derrida, ao se propor escutar o filósofo de Weimar, tendo em vista os indícios sonoros deixados por ele em seus escritos e em especial em seu relato supostamente autobiográfico, Ecce homo, que é considerado pelo intérprete não tanto por aquilo que nele seria constatativo, mas por seu caráter performativo. Por meio de um exercício otobiográfico, Derrida faz notar, entre os relatos registrados no livro analisado, indícios que revelam a pluralidade onde um leitor incauto poderia buscar a unicidade do autor que performa uma exposição de si no texto. Desse modo, Derrida desconstrói a ideia de identidade de um autor que se colocaria antes do texto e o controlaria, apresentando, no seu lugar, a tese de que não existe propriamente uma linha que separa a obra do autor. O corpus do corpo. Palavras-chave: Nietzsche; Derrida; Ecce homo; corpo; corpus