A ausência da definição de Deus no capítulo I do Breve tratado à luz da teoria da definição espinosana
Iago Orlandi Gazola
- Autor
- Iago Orlandi Gazola
- Revista
- Cadernos Espinosanos
- Edição
- 54
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2026.239012
- Páginas
- 347-366
- Idioma
- pt-BR
Por toda a obra de Espinosa, encontramos o cuidado com o tema da definição, com o que deve ser a legítima definição, ponto de partida, com efeito, da Ética. No primeiro capítulo do Breve tratado, no entanto, não há uma definição formal de Deus. Nesse sentido, cabe-nos questionar os motivos dessa ausência. Apresentaremos, primeiramente, a excepcionalidade que envolve o Breve tratado em sua aparição ao público em meados do século XIX, o que nos abrirá o horizonte das discussões a respeito do problema. É a partir do contexto do aparecimento dos manuscritos holandeses do Breve tratado que poderemos compreender as divergências de interpretação da questão entre os comentadores que se debruçaram sobre a questão. Aproximando-nos da leitura de Filippo Mignini, apresentaremos uma justificativa para tal ausência. Tal itinerário nos imporá o exame da teoria da definição espinosana, tal como é apresentada nos derradeiros anos de vida de Espinosa, numa articulação que faremos entre a sua correspondência, a Ética e o Tratado da emenda do intelecto. É a partir dela que proporemos uma resposta a tal questão.
