A CONTRACULTURA DO CÍRCULO DE VIENA: DESDOBRAMENTOS E IMPLICAÇÕES PARA ALÉM DA FILOSOFIA DA CIÊNCIA
Rodrigo Trindade Nascimento
- Autor
- Rodrigo Trindade Nascimento
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 17 / 42
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2025.v17n42.p299-327
- Páginas
- 289-317
- Idioma
- pt
Este artigo discute as relações filosóficas e intelectuais do Círculo de Viena com movimentos sociopolíticos de esquerda no período Entreguerras do século XX. Observa-se que os movimentos opostos, de tendência totalitária, eram os predominantes no mundo de língua alemã desde o início do século, dando origem ao nazifascismo na década de 1930. Os movimentos totalitários pautavam-se na filosofia tradicional austro-alemã. A partir desse contexto histórico, argumenta-se que a posição do Círculo de Viena de rompimento com a tradição filosófica era uma contracultura em relação à tendência intelectual predominante. Com isso, concebe-se a filosofia do Círculo de Viena em franca oposição às bases teóricas dos movimentos totalitários em ascensão. A primeira parte do texto estabelece o recorte historiográfico com base nas perspectivas de Janek Wasserman, Helmut Gruber, Hans-Joachim Dahms, George Mosse e Friedrich Stadler, posicionando o Círculo de Viena no contexto do modernismo centro-europeu, especificamente austríaco. A segunda parte mostra que a análise crítica do Círculo de Viena direcionada à filosofia de seu tempo reflete as apreensões direcionadas de relações sociais, religiosas e políticas que se estendiam ao campo científico de seu contexto histórico. Isso é representado através das obras de Philipp Frank, que identificou criticamente as relações perniciosas e hierárquicas na história da filosofia tradicional, proporcionando uma compreensão das barreiras ao progresso científico ocorridas nas primeiras décadas do século XX.
