A criação da EMBRAER: O desenvolvimentismo e as políticas científico-tecnológicas do regime militar no Brasil (1964-1985)
Eduardo Canas, Marcos Paulo de Oliveira, Maurício Felippe Manzalli, Ivy Judensnaider
- Autor
- Eduardo Canas, Marcos Paulo de Oliveira, Maurício Felippe Manzalli, Ivy Judensnaider
- Revista
- Prometeica - Revista de Filosofía y Ciencias
- Edição
- 33 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.34024/prometeica.2026.33.21576
- Páginas
- e21576 (1-13)
- Idioma
- pt
Este artigo investiga a criação da Embraer, em 1969, no contexto do desenvolvimentismo estatal brasileiro durante o regime militar. Nesse período, o Estado agiu sob os auspícios de um governo ideologicamente marcado pela noção de Segurança Nacional e interessado na construção de um país moderno, desenvolvido, politicamente relevante e economicamente competitivo em relação ao restante do mundo. A pergunta que buscamos responder é: de que forma a EMBRAER deveu sua criação ao discurso e à prática desenvolvimentista e modernizadora do regime militar? Nossa hipótese é a de que a criação da EMBRAER encontra suas justificativas no cenário do regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Este regime colocou o Estado na linha de frente do projeto desenvolvimentista com base no ideário keynesiano, e utilizou a Ciência e a Tecnologia como instrumentos essenciais para alavancar o crescimento econômico e garantir a relevância política, científica e tecnológica do país. Por meio da pesquisa histórico-documental, e a partir de investigação bibliográfica, concluímos que a EMBRAER foi criada em função da atuação de um Estado que buscou criar uma indústria aeronáutica nacional e competitiva no mercado global, de acordo com as aspirações ufanistas e desenvolvimentistas do regime militar e dado o contexto da Guerra Fria. A importância da nossa investigação está na análise das relações entre a ação do Estado e a inovação científica e tecnológica, tema de extrema relevância ainda nos dias de hoje.
