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A CRÍTICA DE HEGEL AOS POSTULADOS DA RAZÃO PRÁTICA COMO DESLOCAMENTOS DISSIMULADORES

Marcos Lutz Müller

Autor
Marcos Lutz Müller
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
43 / 4
Ano
1998
DOI
10.15448/1984-6746.1998.4.35462
Páginas
927-959
Idioma
pt
1998Marcos Lutz Müller. A CRÍTICA DE HEGEL AOS POSTULADOS DA RAZÃO PRÁTICA COMO DESLOCAMENTOS DISSIMULADORES. Veritas (Porto Alegre), v. 43, n. 4, p. 927-959, 1998.3

Este artigo apresenta a crítica radical de Hegel na Fenomenologia do Espírito à teologia moral dos postulados da razão pràtica kantiana. Hegel os reconstrói como projeções resultantes da contradição da consciência moral, que, ao termo da experiência que ela perfaz de si mesma mediante a sua objetivação na "visão moral do mundo'', é compelida a confessar a sua hipocrisia. Depois de uma caracterização sucinta da antinomia e dos postulados da razão pràtica, bem como das principais teses da sua reconstrução crítica por Hegel (1), analisa-se a contradição da consciência moral, concebida como puro dever, que é a matriz dos postulados (2), e aborda- se detalhadamente a. série de "deslocamentos dissimuladores" (Verstellungen) que articulam os dualismos e as oposições em que essa contradição fundamental se desdobra, e cuja resolução representativa é projetada nos três postulados (3, 4, 5). Por fim mostra-se que o colapso da "vi_são moral do mundo" conduz a consciência moral à experiência da sua hipocrisia e à sua superação na autocerteza moral subjetiva, que antecipa a sua auto-supressão e a superação da moralidade (6).