A crítica feminista ao humano universal
Márcia dos Santos Fontes, Maria Cristina Longo Cardoso Dias
- Autor
- Márcia dos Santos Fontes, Maria Cristina Longo Cardoso Dias
- Revista
- Revista Enunciação
- Edição
- 8 / 1
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.61378/enun.v8i1.177
- Páginas
- 1 - 30
- Idioma
- pt-BR
O presente artigo aborda a crítica feminista à universalização da categoria “humano”, mostrando como esta foi construída sob um dualismo hierarquizado entre razão-corpo a partir do qual se estabeleceu a correlação com uma oposição entre masculino e feminino. O primeiro propriamente humano, distinto da natureza, o segundo ligado ao domínio natural. Correlação que foi estendida aos povos colonizados/racializados, aos proletários, às classes marginalizadas, oprimidas. Buscaremos, neste sentido, identificar como essa categoria de humano universal emerge nos cânones da filosofia ocidental e como tal concepção implica, como observou Elizabeth Spelman, numa somatofobia (hostilidade contra o corpo), misoginia (hostilidade contra as mulheres) e racismo, e como tais elementos serão oportunizados e operacionalizados pela lógica de dominação do capital. Por fim, analisaremos como pensadoras feministas, tais como Heleieth Saffioti, Lélia Gonzalez e Silvia Federici efetuaram a crítica à concepção universalista do humano sem colocar a corporeidade sob suspeita, mas, ao contrário abordando como o dualismo hierarquizado entre mente e corpo (e seus seguimentos entre humano/natureza, civilizado/primitivo etc.) foi e permanece sendo estrategicamente utilizado como ferramenta de exclusão, opressão, usurpação e exploração.
