- Autor
- Luis Felipe Garcia Lucas
- Revista
- Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea
- Edição
- 13 / 1
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.26512/rfmc.v13i1.57648
- Páginas
- 155 - 182
- Idioma
- pt
Rancière demonstra que, desde o princípio, política e democracia estão intrinsecamente relacionadas ao conceito de dissenso, dessa forma, é necessário repensar a maneira pela qual esse dissenso é aplicado no meio da comunidade. As democracias contemporâneas se levantam sobre uma bandeira do consenso e da abolição do dissenso, com um discurso em defesa das partes que constituem a sociedade, porém, ao mesmo tempo, eliminando a possibilidade de que aqueles que não têm uma parte possam se manifestar e reivindicar sua participação no meio público. Rancière observa que as democracias atuais são contraditórias e falsas, pois buscam anular a possibilidade de existência da prática participativa, enquanto acreditam que devem abolir o dissenso e o litígio do meio social. Essas falsas democracias são fundamentadas sobre uma estrutura oligárquica na qual poucos têm o real poder político.
