A DINÂMICA DA SEXUALIDADE INFANTIL ENTRE A REPRESSÃO ORIGINÁRIA, O INSTINTO (TRIEB) E A ECONOMIA LIBIDINAL NA TEORIA FREUDIANA
Matheus dos Reis Gomes
- Autor
- Matheus dos Reis Gomes
- Revista
- Revista Paranaense de Filosofia
- Edição
- 5 / 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.33871/27639657.2025.5.2.11173
- Páginas
- 113-147
- Idioma
- pt
O artigo investiga a centralidade da sexualidade infantil na constituição psíquica e na estruturação da economia libidinal no modelo freudiano. A tese sustenta que a fragmentação e plasticidade do ‘instinto’ (Trieb), articuladas pela ‘repressão originária’ (Ursprüngliche Verdrängung), instauram uma lógica do inconsciente baseada na dialética entre desejo e interdição. Rejeita-se a concepção empírico-biológica da sexualidade, privilegiando-se sua função estruturante e metapsicológica. A análise do instinto como força descentralizada, operando por vias desviantes, substituições e condensações, desfaz o paradigma normativo da genitalidade e reinscreve a perversão como operador estrutural do desejo. O fetichismo e a angústia de castração exemplificam a negatividade constitutiva da sexualidade, com a ‘renegação’ (Verleugnung) sustentando a duplicidade perceptiva diante da falta. A transição pubertária é concebida como reorganização contínua, não como ruptura, deslocando a diferença sexual da anatomia para o simbólico. A libido mantém sua matriz infantil, reorganizando zonas erógenas sob a égide de uma economia psíquico-somática. Conclui-se que a teoria freudiana inscreve a sexualidade como estrutura fundante do sujeito e da sua economia desejante.
