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A filosofia deleuziana e o cinema de Glauber Rocha: uma conversação

Adhemar Santos de Oliveira, Alex Fabiano Correia Jardim, Paulo Henrique Dias Costa

Autor
Adhemar Santos de Oliveira, Alex Fabiano Correia Jardim, Paulo Henrique Dias Costa
Revista
Revista DIAPHONÍA
Edição
11 / 3
Ano
2025
DOI
10.48075/rd.v11i3.36109
Páginas
239-258
Idioma
pt
2025Adhemar Santos de Oliveira, Alex Fabiano Correia Jardim, Paulo Henrique Dias Costa. A filosofia deleuziana e o cinema de Glauber Rocha: uma conversação. Revista DIAPHONÍA, v. 11, n. 3, p. 239-258, 2025.4

O pensamento de Gilles Deleuze rompe com os limites da filosofia tradicional ao integrá-la com a arte e a ciência por meio de uma abordagem criativa e transversal. Sua “leitura em intensidade” propõe uma filosofia atravessada por afetos e intercessores, que ligam campos distintos como a arte, a ciência e o cinema. Para Deleuze, o pensamento não é inato, mas surge como resposta a signos que nos forçam a pensar – e é nesse contexto que se estabelece a relação entre filosofia e cinema como território de experimentação. A arte, para Deleuze, não é apenas objeto de análise, mas força que desestabiliza e transforma o pensamento. Em sua abordagem estética, as obras são compostas por “blocos de sensação”, formados por perceptos (sensações autônomas) e afectos (intensidades transformadoras). Esses blocos são fundamentais para compreender o conceito de devir, que produz novos modos de existência a partir das diferenças e da indeterminação. No cinema, especialmente no cinema político, essa força estética encontra expressão privilegiada. Cineastas, como Glauber Rocha, capturam perceptos e afectos para compor obras que desestabilizam a percepção e provocam o pensamento. Nesse campo, a fabulação se torna central: não como uma simples ficção, mas como um agenciamento estético-político que cria um povo por vir. Isso posto, propõe-se neste texto pensar a fabulação como elo entre cinema e filosofia, explorando seu papel na criação de novos mundos possíveis, a partir do cinema de Glauber Rocha. A arte cinematográfica se torna um campo fértil de resistência, invenção e subjetivação – campo em que a fabulação emerge como potência crítica e criadora, atravessando o estético e o político, e apontando para uma nova forma de existência coletiva que ainda está por vir.