- Autor
- Sérgio A. J. Volkmer
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 1 / 02
- Ano
- 2009
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2009.v1n02.4322
- Páginas
- 264-276
- Idioma
- pt
Para Lévinas, as formas do pensamento e os modos diversos de ser refletem o que há mais além do saber e do conhecimento: a relação fundamental que subjaz ao ser, e que parte do puro existir, do puro há, onde o ser ainda não é tematizado. A filosofia como sistematização é o prenúncio do ser-para-a-morte, que se compraz com chegar ao fim, não aberto ao infinito do totalmente outro. Lévinas procura trazer o que está por trás da filo-sofia, ou do autêntico amor ao saber, desejo de relacionar-se com um outro totalmente diferente. A primeira consciência, consciência de, é consciência em relação. Não há subjetividade sem alteridade, e isto significa estar permanente aberto a novos aspectos do outro, aos quais devo responder renovadamente. O problema da fundação da cultura sobre a intuição ética original não é de simples solução. Não há outra maneira de se realizar no mundo uma intuição original senão através da cultura. O princípio regulador da ética na instituição da cultura parece que nunca poderá ser simplificadamente uma norma primeira, mas antes um movimento de retorno à vivência, ou experiência vital, original, do existir e da formação da própria subjetividade em meio e a partir do diferente, um movimento de crítica racional iluminada por uma experiência.
