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A inversão fenomenológica: circularidade do mundo como mudança de paradigma em Martin Heidegger

Felipe Maia da Silva

Autor
Felipe Maia da Silva
Revista
Aufklärung: journal of philosophy
Edição
6 / 3
Ano
2019
DOI
10.18012/arf.2019.46216
Páginas
p.147.-166
Idioma
pt
2019Felipe Maia da Silva. A inversão fenomenológica: circularidade do mundo como mudança de paradigma em Martin Heidegger. Aufklärung: journal of philosophy, v. 6, n. 3, p. p.147.-166, 2019.2

O conceito de ser-no-mundo, elaborado durante os seminários heideggerianos dos anos 1920 e central em Sein und Zeit, condensa decisivos aspectos da analítica existencial do Dasein. Através deste curioso termo o autor é capaz de empreender, como pretendemos demonstrar, uma inovadora descrição fenomenológica do horizonte mundano como pertencente co-originariamente (gleichursprünglich) ao existir. O filósofo pode prescindir, dessa forma, do tradicional ponto de partida – verificável na fenomenologia husserliana - que estabeleceria tipicamente o ego como sujeito constituinte: fundamento que acessa o mundo, seu objeto, a partir do paradigma teórico e intelectual. Por seu turno, a explicação do acesso familiar e habitual ao mundo será iniciada, em Sein und Zeit (a partir da proposta de um diverso Fundierungszusammenhang), pela consideração dos aspectos eminentemente prático-instrumentais da mundanidade. A circularidade marcante da Besorgen passa a traduzir o aspecto intencional fenomenalmente adequado para a descrição da mobilidade da vida fática. Acompanhando a tese heideggeriana e a partir do auxílio de comentadores, pretendemos expor neste artigo os principais argumentos da abordagem da instrumentalidade: através do estudo do problema da referencialidade ôntica e da redução ontológica empreendida no §18. Tal recorte temático nos permitirá compreender, enfim, pontos elementares da radicalidade desta inversão do método fenomenológico, no sentido mesmo de que a abordagem circular prático-pragmática do ser-no-mundo é reveladora do afastamento de nosso autor, no que diz respeito à compreensão mesma da tarefa filosófica, em relação a seu mestre Husserl.