- Autor
- Renato Kirchner
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 38
- Ano
- 2018
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i38.4292
- Páginas
- 187-199
- Idioma
- pt
A presente reflexão assume a tarefa de procurar entender uma estória costumeiramente contada e atribuída a Heráclito. Heidegger surpreende-nos na medida em que, em sua interpretação da mesma estória na perspectiva do pensamento desenvolvido no contexto de Ser e tempo, é possível compreender que Heráclito não mora mesmo num lugar qualquer, pois pode ser que propriamente não mora num lugar qualquer no sentido que compreendemos usualmente. De fato, num de seus fragmentos, Heráclito diz: “A morada do homem, o extraordinário”. O extraordinário não deve ser buscado fora do lugar em que Heráclito já se encontra e mora. Sua morada é suficientemente grávida de sentido do mistério, isto é, do ser que lhe atinge em sua existência. A morada do pensador é seu ethos. Este ethos perfaz o círculo aberto-fechado como disposição de ser na abertura essencializadora de pertença já atida a uma condição primordial, qual seja, o lugar essencial do ser-aí humano.
