A natureza conservadora das pulsões sexuais: um olhar para além da meta ligadora de Eros
Munique Gaio Filla
- Autor
- Munique Gaio Filla
- Revista
- Voluntas: Revista Internacional de Filosofia
- Edição
- 11 / 2
- Ano
- 2020
- DOI
- 10.5902/2179378647117
- Páginas
- 102-125
- Idioma
- pt
Em 1920, Freud explicita que as pulsões apresentam uma natureza conservadora, já que tendem a retornar a estados anteriores, o que por vezes é visto como uma redefinição do conceito de pulsão em sua teoria. Se isso é ponto pacífico no campo das pulsões de morte, para as pulsões de vida e sua meta de ligar a substância viva em unidades cada vez maiores, é motivo de hesitação, ao ponto do psicanalista chegar a negar a possibilidade de que Eros seja conservador. O presente artigo objetiva analisar esta dificuldade aparente e mostrar que as pulsões sexuais, pertencentes ao grupo das pulsões de vida, sempre foram conservadoras para Freud. Assim, pretende questionar que haja propriamente uma redefinição da noção de pulsão e levantar um problema mais profundo – o fato das pulsões sexuais almejarem retornar a estados menos ligados da vida libidinal e, com isso, esbarrarem na meta de Eros.
