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A profundidade abissal: Nietzsche, Cézanne, Merleau-Ponty e o enigma do mundo

Claudinei Aparecido de Freitas da Silva

Autor
Claudinei Aparecido de Freitas da Silva
Revista
Voluntas: Revista Internacional de Filosofia
Edição
12 / 1
Ano
2021
DOI
10.5902/2179378664659
Páginas
e12
Idioma
pt
2021Claudinei Aparecido de Freitas da Silva. A profundidade abissal: Nietzsche, Cézanne, Merleau-Ponty e o enigma do mundo. Voluntas: Revista Internacional de Filosofia, v. 12, n. 1, p. e12, 2021.3

O texto visa, contextualmente, situar Nietzsche como um precursor da fenomenologia compreendida por Merleau-Ponty menos a título de uma “doutrina” e mais como um “movimento” incoativo e inacabado. É sob esse prisma que a obra nietzschiana projeta viva audiência a alguns temas caros àquele movimento, entre eles, a interrogação acerca do mundo como mistério. Esse agenciamento encontra na ideia de profundidade um fio condutor decisivo a fim de ressignificar, em termos husserlianos, uma arqueologia da Lebenswelt enquanto regresso a uma Terra originária, algo que, ao que tudo indica, possui importantes ressonâncias não só de matrizes nietzschianas, mas cezannianas. Trata-se, enfim, de examinar em que medida a filosofia de Nietzsche e a pintura de Cézanne perfazem um rico experimento capaz de fulgurar um sentido arquétipo da natureza como abismo ou, no dizer de Merleau-Ponty, o mundo como enigma primordial ou deflagração de um Ser das profundidades.