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A questão da parrhesia no pensamento de Michel Foucault, Pierre Hadot e Martha Nussbaum

Vera Portocarrero

Autor
Vera Portocarrero
Revista
Revista de Filosofia Aurora
Edição
23 / 32
Ano
2011
DOI
10.7213/rfa.v23i32.1747
Páginas
81-98
Idioma
pt
2011Vera Portocarrero. A questão da parrhesia no pensamento de Michel Foucault, Pierre Hadot e Martha Nussbaum. Revista de Filosofia Aurora, v. 23, n. 32, p. 81-98, 2011.1

O objetivo deste artigo é apresentar apenas algumas noções que contribuem para uma análise da relevância atribuída, a partir do final do século XX, à questão da parrhesia em sua relação com o cuidado de si no pensamento de Pierre Hadot, Martha Nussbaum e Michel Foucault. Enquanto Hadot a dilui em análises daquilo que denomina exercícios espirituais, por meio da concepção de filosofia como modo de vida, Nussbaum a integra à noção de argumento terapêutico, concentrando-a em um capítulo dedicado ao método terapêutico epicurista. Já Foucault amplia, em seu pensamento tardio, a investigação do uso da parrhesia, considerando-a uma das técnicas fundamentais das práticas de si da Antiguidade. Ele a conceitua, busca sua genealogia política (democracia) e explicita sua extensão ao campo da ética, tomando-a como base para uma crítica da forma moderna de relação entre verdade, poder, sujeito e liberdade. Para tanto, especifica retrospectivamente toda a trajetória de sua própria obra, bem como seus deslocamentos teóricos em relação ao pensamento filosófico contemporâneo. Apesar das importantes variações de amplitude, diferenças e contraposições atribuídas por esses três filósofos à noção de parrhesia, suas pesquisas constituem um eixo temático que circunscreve uma importante preocupação filosófica contemporânea e permite traçar um domínio de pensamento, estabelecido, por um lado, por meio do problema foucaultiano do contrapoder, da resistência, do governo de si e dos outros; por outro lado, por meio da questão de Nussbaum acerca do argumento terapêutico.