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A relação binominal virtù-fortuna no pensamento ético e político de Maquiavel

Jorge D. M. Mateus

Autor
Jorge D. M. Mateus
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
16
Ano
2017
DOI
10.36517/arf.v8i16.19149
Idioma
pt
2017Jorge D. M. Mateus. A relação binominal virtù-fortuna no pensamento ético e político de Maquiavel. Argumentos - Revista de Filosofia, n. 16, 2017.1

O presente estudo representa um esforço no sentido de aprofundar e evidenciar a relação binomial virtù-fortuna e o papel fundamental que ela representa no pensamento de Maquiavel acerca da ordenação da sociedade através da ação do príncipe. De um lado a fortuna, imediatamente ligada à providência divina e à mitologia pagã, não representando simplesmente o acaso ou a mera sorte, por outro lado, a virtù, o conjunto de capacidades do príncipe, os meios e a excelência que o fazem atuar devidamente em todas as ocasiões. A relação entre fortuna e virtù não se pode encarar como artificial ou simples resultado arbitrário da mudança dos tempos. Ao introduzir uma conceção cíclica da História, Maquiavel evidencia a importância capital dos eventos na prossecução de certos fins, pelo que, necessariamente, de todas as decisões resultam causas necessárias, desejadas ou não. Cabe ao príncipe engrandecer-se em virtù para compreender como agir no novo ciclo, no seu tempo concreto, considerando escrupulosamente os exemplos do passado, evitando os erros cometidos por outros, superando em excelência os antigos.