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A SÔPHROSYNÊ COMO LIBERDADE SOBRE SI: UMA INTERPRETAÇÃO FOUCAULTIANA DE ARISTÓTELES

Juliana Ortegosa Aggio

Autor
Juliana Ortegosa Aggio
Revista
Revista Ideação
Edição
1 / 34
Ano
2018
DOI
10.13102/ideac.v1i34.1239
Páginas
99-118
Idioma
pt
2018Juliana Ortegosa Aggio. A SÔPHROSYNÊ COMO LIBERDADE SOBRE SI: UMA INTERPRETAÇÃO FOUCAULTIANA DE ARISTÓTELES. Revista Ideação, v. 1, n. 34, p. 99-118, 2018.1

Este ensaio aventa a seguinte hipótese interpretativa: é possível defender uma concepção de liberdade do sujeito diante da sociedade e sobre si mesmo a partir de dois conceitos aristotélicos, a autarquia (autarkeia) e a temperança (sôphrosynê). Por um lado, a autarquia pressupõe o governo sobre si de modo que o sujeito tenha autonomia diante das imposições sociais, e, por outro, a temperança pressupõe o governo sobre si de modo que o sujeito não se torne escravo dos próprios prazeres e desejos. Dando foco à temperança aristotélica, argumento ser possível sustentar a interpretação de Foucault quando o mesmo sugere, em sua obra O uso dos prazeres, que o filósofo estagirita propõe uma espécie de liberdade sobre si, que vai para além do controle ou governo sobre si, com o conceito de temperança. Sem dúvida, segundo a ética aristotélica, o temperante é aquele que frui na justa medida dos prazeres porque sua razão e seu desejo estão em harmonia, ao contrário do controlado, que conflituosamente hesita entre ceder ou não ao desejo pelo prazer, mas que, por fim, consegue se controlar e não ceder.