A técnica como utopia e ideologia: uma leitura da Nova Atlântida de Bacon
Hugo Estevam Moraes de Sousa
- Autor
- Hugo Estevam Moraes de Sousa
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 24 / 3
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.31977/grirfi.v24i3.4937
- Páginas
- 268-284
- Idioma
- pt
O presente artigo pretende discutir a técnica em sua perspectiva utópica e ideológica a partir da obra Nova Atlântida de Francis Bacon. Em um primeiro momento, será necessário estabelecer conceitualmente o significado de utopia e ideologia, sendo o pensamento de Paul Ricoeur a base teórica para tal. Enquanto a primeira se caracteriza por operar uma crítica à ordem estabelecida, a ideologia se propõe a manter um status quo. Deste ponto, será possível iniciar uma análise da obra de Bacon, percebendo nela o caráter utópico da técnica e de que modo ela se converte em ideologia quando assume um papel nas relações de poder e na legitimação da autoridade. Observando as tendências que tentam substituir a política e a ética pela técnica, como faz o transumanismo, o artigo conclui que é necessário fortalecer as relações de poder em sua horizontalidade para garantir que a técnica não se converta em instrumento de opressão.
