A TRAGÉDIA DE ANTÍGONA COMO SUBVERSÃO:: UMA ANÁLISE DO SEXISMO MORAL SOB A ÓTICA DE MARY WOLLSTONECRAFT E MARÍA ZAMBRANO
Palloma Valéria Macedo de Miranda, Edna Maria Magalhães do Nascimento
- Autor
- Palloma Valéria Macedo de Miranda, Edna Maria Magalhães do Nascimento
- Revista
- Problemata - Revista Internacional de Filosofia
- Edição
- 17 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.7443/problemata.v17i1.78700
- Páginas
- 382-393
- Idioma
- pt
A tragédia de Antígona, de Sófocles, transcende seu contexto original como ato de subversão radical contra o sexismo. O texto examina a desobediência civil sob as perspectivas de Mary Wollstonecraft (1759-1797) e María Zambrano(1904-1991). Na ótica de María Zambrano, em La tumba de Antígona (1967), a heroína é reimaginada através da "razão poética". Antígona, nessa leitura, subverte a ordem da pólis ao colocar o dever moral acima da lei estatal. Mary Wollstonecraft, em Reivindicação dos Direitos da Mulher (1792), oferece ferramentas para criticar a moral burguesa que posiciona a mulher como ser inferior. A luta de Antígona contra o decreto de Creonte espelha, a nosso ver, a recusa de Wollstonecraft em aceitar a moralidade sexista que trata a mulher como um ser de "perpetua infância". A ação de Antígona desafia diretamente a exclusão das mulheres da esfera política e ética. Ambas as pensadoras, através de nossa leitura, identificam em Antígona uma subversão moral que rompe com as amarras da obediência imposta. Enquanto Zambrano celebra uma libertação poética que recria a identidade feminina no limite da vida, Wollstonecraft, veria no ato da heroína, a afirmação da racionalidade e dos direitos das mulheres.
