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A Vontade de Potência e o Pactário: Querelas entre a filosofia de Nietzsche e "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa

Volmir Pereira

Autor
Volmir Pereira
Revista
PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
Edição
14 / 33
Ano
2024
DOI
10.26694/pensando.vol14i33.4703
Páginas
126-133
Idioma
pt
2024Volmir Pereira. A Vontade de Potência e o Pactário: Querelas entre a filosofia de Nietzsche e "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa. PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA, v. 14, n. 33, p. 126-133, 2024.2

Este ensaio faz uma aproximação entre a filosofia de Friedrich Nietzsche, especialmente o conceito de “vontade de potência” (Wille zur Macht) e o drama fáustico que ressoa no discurso de Riobaldo, narrador-protagonista de Grande sertão: veredas (2001 [1956]), de Guimarães Rosa. Em nossa hipótese, há um diálogo interessante entre filosofia e literatura na medida em que o arquétipo do sujeito pactário se apresenta como afirmação da vontade individual, disposto à transvaloração dos valores morais instituídos. Todavia, enquanto para o filósofo alemão a “vontade de potência” apontaria para uma radical demolição do sagrado e do divino, para o narrador rosiano o viés místico ainda se apresentaria como possibilidade de sentido a transcender a experiência humana imediata. Nessa direção, entendemos ser fundamental avançar em uma leitura social e histórica do texto filosófico e literário, observando correspondências e divergências quanto a seus aspectos ideológicos e utópicos.