Adorno leitor de Kierkegaard: Ou, a estética de conteúdo como herança materialista
Fábio Caires Correia
- Autor
- Fábio Caires Correia
- Revista
- Aufklärung: journal of philosophy
- Edição
- 8 / 3
- Ano
- 2021
- DOI
- 10.18012/arf.v8i3.60059
- Páginas
- p.91-102
- Idioma
- pt
Objetivamos neste texto (I) mostrar os elementos que constituem a crítica de Kierkegaard a Hegel e (II) as implicações desta crítica para uma suposta virada estética realizada por Adorno em sua filosofia como possibilidade de superação da dialética hegeliana. A hipótese que levantaremos aqui é que na crítica à concepção do estético em Kierkegaard, Adorno percebe a possibilidade da construção de uma noção de experiência racional irrestrita que tornará possível a saída efetiva do idealismo especialmente por meio do que mais tarde ele chamará de estética materialista dialética (materialistisch-dialektischen Ästhetik). Buscaremos mostrar que ao movimentar o pensamento de Kierkegaard contra Hegel (e vice-versa), o que Adorno faz, além de reconstruir criticamente a ideia hegeliana de dialética, é promover a implosão do idealismo presente em ambos os autores. Em outros termos, ele realiza uma interpretação materialista da dialética que traz à consciência o caráter mediado (necessário) da experiência real e concreta do sujeito com o mundo, sem subtrair um polo no outro, i.e., uma dialética que visa à desintegração do modelo idealista da subjetividade constitutiva sem eliminar a subjetividade tampouco o seu polo oposto.
