- Autor
- Dilson Brito da Rocha
- Revista
- Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia
- Ano
- 2019
- Idioma
- pt-BR
Michel Foucault (1926-1984) nos legou uma suntuosa reflexão sobre a biopolítica e, mais precisamente sobre o que ele vai alcunhar, num sentido irrestrito, de biopoder. Tal conceituação foi tomada em exame pelo filósofo italiano Giorgio Agamben (1942), de maneira que este herda o pensamento daquele, mas não sem perscrutar questões não enfrentadas de modo minucioso por Foucault, nem tampouco sem endereçar críticas. A propósito, as duas compreensões sobre biopolítica não podem ser hibridizadas, sem se fazer imprescindíveis discriminações e entender os desdobramentos. Grosso modo, um de seus distintivos em relação a Foucault é o fato de Agamben dissecar temáticas concernentes ao direito e teologia, sendo tal fator impactante. Ocorre que o termo “biopolítica” já era usual no século XIX, todavia, é consagrado a partir do século XX,sobretudo com a engenhosa obra foucaultiana. O francês sustentará que a política do Estado se torna domínio ou controle sobre a vida, que é concomitante e paradoxalmente promoção da vida, a partir do século XVIII, ao passo que Agamben emblema que a política desde sempre é biopolítica, remontando, de forma pontual, ao início da história do Ocidente.
