- Autor
- Juliano Orlandi
- Revista
- Philósophos - Revista de Filosofia
- Edição
- 19 / 2
- Ano
- 2015
- DOI
- 10.5216/phi.v19i2.31689
- Páginas
- 129-149
- Idioma
- pt
Meu objetivo principal é o esclarecimento da perspectiva platônica a respeito das narrativas de caráter alegórico. A questão surge da constatação de que o filósofo evita sistematicamente utilizar os termos ápaggelia e ápaggéllein, cujas traduções são narrativa e narrar, para se referir às ocorrências de alegorias em sua obra. Sua recusa é estranha, pois seu uso dos termos engloba um grupo bastante heterogêneo de narrativas, e não há aparentemente razão alguma que os impeça de designar passagens alegóricas. Minha proposta de solução passa, primeiramente, por uma análise completa das ocorrências de ápaggelia e ápaggéllein no corpus platonicum, cujo objetivo é promover uma caracterização mais detalhada do sentido dos termos. Para compreender um dos aspectos descobertos nesse levantamento, a noção de testemunho, investigo a interpretação que Brisson lhe conferiu em seu Platon les mots et les mythes (1994). Finalmente, com base na tese de Brisson, procuro explicar por que o filósofo evita os termos ápaggelia e ápaggéllein para se referir às narrativas alegóricas.
