Angústia no sonho: Repetição simbólica do recalcado ou alteridade ontológica?
Marcos José Müller
- Autor
- Marcos José Müller
- Revista
- Veritas (Porto Alegre)
- Edição
- 66 / 1
- Ano
- 2021
- DOI
- 10.15448/1984-6746.2021.1.40250
- Páginas
- e40250
- Idioma
- en
No presente artigo é meu objetivo confrontar uma leitura estrutural (de acepção freudiana e lacaniana) com uma leitura ontológica (de acepção merleau-pontyana) concernente à gênese e à interpretação clínica dos sonhos, tendo em vista os operadores formais que orientam ambas as leituras, ressaltando suas divergências. Mais além do “operador simbólico” - incumbido de explicitar a formação dos desejos inconscientes que o sonho realizaria - é meu propósito discutir a diferença no modo como - em cada uma das leituras - emprega-se o “operador real”. Em ambas, o real é apontado como aquilo que explicaria a emergência da angústia face à qual o sonho encontraria um limite, levando o sonhador a despertar. Todavia, conforme cada uma das leituras, o real diz respeito a ocorrências muito distintas. E as questões que pretendo responder nesse artigo são: como cada uma dessas maneiras de compreender o real afeta o entendimento sobre o que seja a angústia no campo onírico? Em que sentido, para Merleau-Ponty, o sonho pode ser entendido como uma passagem surreal?
