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Antropofagia para além da metáfora: por uma filosofia da diferença (anotações de um professor de filosofia)

Filipe Ceppas

Autor
Filipe Ceppas
Revista
Educação e Filosofia
Edição
31 / 63
Ano
2018
DOI
10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v31n63a2017-05
Páginas
1385-1396
Idioma
pt
2018Filipe Ceppas. Antropofagia para além da metáfora: por uma filosofia da diferença (anotações de um professor de filosofia). Educação e Filosofia, v. 31, n. 63, p. 1385-1396, 2018.2

Antropofagia para além da metáfora: por uma filosofia da diferença (anotações de um professor de filosofia) Resumo: Pensar a antropofagia para além da oposição metafórico/literal, próprio/não-próprio, parece impossível. E, ainda assim, é a isso que nos convida Oswald de Andrade, quando define o pensamento como sendo da ordem da devoração, da ultrapassagem da oposição Eu/outro. O estado de guerra, de oposição, é constitutivo, sem pressupor uma identidade primeira (devoro, logo existo, poderíamos dizer; ou, “sou inimigo do meu inimigo”, na formulação de Viveiros de Castro). Este  texto  se  propõe  a  explorar  livremente,  de  modo  ensaístico,  a  devoração,  a ausência de reciprocidade e a comunhão efêmera a que esta dá lugar, assim como suas implicações para o ensino de filosofia.Palavras-chave: Antropofagia; Negação da reciprocidade; Ensino de filosofia. Anthropophagie au-delà de la métaphore: vers une philosophie de la différence (notes d’un professeur de philosophie)  Résumé: Penser l’anthropophagie au-delà de l’opposition métaphore/literal, propre/non-propre, cela nous semble impossible. Et pourtant, voilà ce qui nous invite Oswald de Andrade, quand il nous donne la définition de la pensée comme dévoration, le dépassement de l’opposition moi/l’autre. L’état de guerre, l’opposition, cela est constitutive,  sans  présupposer  une  identité  première  (je  dévore,  donc  je suis, on dirait; ou, «Je suis l’ennemi de mon ennemi” dans la formulation de Viveiros de Castro). Ce texte se propose d’explorer librement, en utilisant la forme d’essaye,  la  dévoration  comme  l’absence  de  réciprocité  et  comme communion éphémère à laquelle cela donne lieu, pour en dégager les implications dans l’enseignement de la philosophie.Mots clé: Anthropophagie; Refus de la réciprocité; Enseignement de la philosophie. Anthropophagy beyond metaphor: for a philosophy of difference (notes of a professor of philosophy)  Abstract: It seems an impossible task to think of anthropophagy beyond the opposition of metaphorical/literal, proper/non-proper. And yet, that is what Oswald de Andrade invites us to, when he defines thinking as being a kind of devouring, overcoming the opposition I/other. The state of war, the opposition itself, is constitutive, without presupposing a first identity (I devour, therefore I exist, we could say, or, “I am the enemy of my enemy”, in the formulation of Viveiros de Castro). This text proposes to freely explore, in an essayistic way, the devouring, the absence of reciprocity and the ephemeral communion to which it gives rise, and its implications for the teaching of philosophy.Keywords: Anthropophagy; Denial of reciprocity; Teaching of philosophy. Data de registro: 20/12/2016 Data de aceite: 17/05/2017