Apresentação do dossiê: Diferenças, corpos e subjetivações na educação: perspectivando outros paradigmas de inclusão
Pedro Angelo Pagni , Eliana da Costa Pereira de Menezes, Rodrigo Barbosa Mugnai Lopes
- Autor
- Pedro Angelo Pagni , Eliana da Costa Pereira de Menezes, Rodrigo Barbosa Mugnai Lopes
- Revista
- Educação e Filosofia
- Edição
- 39
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.14393/REVEDFIL.v39a2025-80802
- Páginas
- 1-5
- Idioma
- pt
A presente proposta de dossiê ou de seção temática decorreu do seminário internacional de pesquisa “Diferença, subjetivação e educação: por outro paradigma de inclusão educacional”, desenvolvido como uma das atividades da Rede Internacional de Pesquisa Diferença, inclusão e educação, vinculada ao projeto Diversidade, movimentos sociais e inclusão do Print-UNESP, apoiado pela CAPES (2019-2024). Organizado pelos Programas de Pós-graduação em Educação da Faculdade de Filosofia e Ciência de Marília (Pedro Angelo Pagni) e da Faculdade de Ciência e Tecnologia de Presidente Prudente da UNESP (Divino José da Silva e Rodrigo Barbosa Lopes Mugnai), em rede com os da Universidade Federal de Santa Maria (Eliana da Costa Pereira de Menezes) e da Fundação Universitária do Rio Grande (Kamila Lockmann), esse seminário abordou a temática da inclusão educacional, problematizando o modo como ela foi concebida em nosso país, por vezes restringindo às múltiplas diferenças que habitam o corpo do estudante como restritas a uma – a etnia, o gênero ou, principalmente, a deficiência. Perspectivadas pelos saberes médicos e sociológicos, majoritariamente, como um dispositivo de poder tais saberes asseguraram a determinados setores do corpo social até então excluídos a governamentalização da população e certo reconhecimento como sujeitos de direitos. A questão que emergiu de suas políticas, porém, adentra ao modo como a presença dos corpos diversos vem impactando a racionalidade imperante na educação, assim como produzindo processos de subjetivação múltiplos em torno dos quais esses sujeitos se dispersam em suas diferenças e se reúnem em torno de corpos comuns que afrontam, resistem, reformam o corpo social. Interessa a este dossiê discutir este conflito em relação aos dispositivos de subjetivação na educação e, especialmente, na educação inclusiva, problematizando as limitações e as possibilidades de suas práticas com a presença daqueles corpos diversos e a potencialidade da formação desses corpos comuns para se pensar outro paradigma de inclusão educacional. Para isso, este dossiê reúne um conjunto de artigos, escritos por autores estrangeiros e brasileiros, para perspectivar esse outro olhar à luz da filosofia no enfrentamento de problemas cruciais para esse processo de inclusão: à começar pelo estudo como como prática filosófica e exercício espiritual que tem se ausentado da instituição escolar, passando pela extrema dissociação da palavra da partilha do sensível numa concepção formativa espiritualista e dissociada do corpo, até chegar ao megafascismo imposto aos processos de subjetivação recorrentes ao ponto de neutralizarem a potência da singularidade dos corpos presentes na educação atual. Com vista a focar nesses corpos, desde o ponto de vista das epistemologias até o terreno estético, passando pelo debate ontológico e político, em torno dos quais as diferenças encarnadas por esses corpos e seus respectivos encontros produzem, procura-se cartografar em suas linhas a formação de corpos comuns que habitam, lutam e se dispõem a converter a inclusão de modelo em verbo – incluir –, numa prática infinitiva. [...]
