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As astúcias da cumplicidade: sobre a suposta influência de Spinoza sobre Marx

Bernardo Bianchi

Autor
Bernardo Bianchi
Revista
Cadernos Espinosanos
Edição
30
Ano
2014
DOI
10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2014.83776
Páginas
75-93
Idioma
pt-BR
2014Bernardo Bianchi. As astúcias da cumplicidade: sobre a suposta influência de Spinoza sobre Marx. Cadernos Espinosanos, n. 30, p. 75-93, 2014.2

No presente artigo, debatemos a hipótese relativa à suposta influência de Spinoza na obra de Marx. Partindo de uma frase escrita por Althusser – “[Spinoza] é o único ancestral direto de Marx” –, buscamos demonstrar que a relação entre Spinoza e Marx não tem fundamento no nível historiográfico, mas, sobretudo, no nível das afinidades teóricas. Este argumento é confirmado através da leitura que Marx fez de Spinoza em 1841 com a refutação de Spinoza elaborada por ele em A Sagrada Família. Contrariamente ao que poderíamos esperar, quando Marx abandona sua fase mais pronunciadamente idealista, denominada kantiana-fichteana por Althusser, ele se insurge, simultaneamente, contra Spinoza. Assim, contra o spinozismo, Marx mobiliza, contudo, um arsenal de reflexões teóricas que poderia ser atribuído a Spinoza. Por uma astúcia dos encontros, é negando Spinoza que Marx se torna seu cúmplice intelectual.