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Autoritarismo versus liberdade de expressão: o teatro brasileiro dribla a censura com perspicácia

Sandra de Cássia Araújo Pelegrini

Autor
Sandra de Cássia Araújo Pelegrini
Revista
Antíteses
Edição
8 / 15
Ano
2015
DOI
10.5433/1984-3356.2015v8n15p67
Páginas
67-90
Idioma
pt
2015Sandra de Cássia Araújo Pelegrini. Autoritarismo versus liberdade de expressão: o teatro brasileiro dribla a censura com perspicácia. Antíteses, v. 8, n. 15, p. 67-90, 2015.2

A presente reflexão propõe um debate sobre as artimanhas utilizadas por produtores teatrais, dramaturgos e atores para ludibriar os censores dos governos militares que se sucederam no Brasil, entre 1964 e 1985. Nesse sentido, aborda o contexto da produção de algumas peças, privilegiando aquelas que contemplaram temáticas avaliadas como imorais ou fizeram repercutir questões políticas tomadas como subversivas. Profissionais dissimularam com criatividade o teor das mensagens de seus roteiros e metamorfosearam diálogos de inúmeras peças por meio de alegorias e representações da linguagem, sem, no entanto, negligenciarem os impasses estéticos, as questões existenciais e de classe, as críticas à égide do progresso e à sociedade de consumo. A complexidade de tal proposição implica a compreensão das estratégias usadas pelos artistas e, também, as táticas usadas pelos censores, apoiados na legislação instituída e treinados pela Academia Nacional de Polícia, para coibir as obras que denotassem características consideradas altamente nocivas à manutenção da ordem pública e aos valores democráticos e cristãos.