AYOUCH, Thamy1. Gênero, classe, “raça” e subalternidade: por uma psicanálise menor. Texto originalmente publicado em: POMMIER, G et CROIX, L. (Org.) Pour un regard neuf de la psychanalyse sur le genre et les parentalités. Toulouse: Érès, 2017.
Regiane Lorenzetti Collares, Luis Celestino de França Júnior
- Autor
- Regiane Lorenzetti Collares, Luis Celestino de França Júnior
- Revista
- ARARIPE — REVISTA DE FILOSOFIA -
- Edição
- 3 / 02
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.56837/Araripe.2022.v3.n02.1098
- Páginas
- 194 - 219
- Idioma
- pt
Uma abundante literatura psicanalítica no decorrer de décadas se ocupou da abordagem das homossexualidades, transidentidades, posturas de sexualidades e de sexuação não heterocentradas ou, ainda, dos rearranjos "patogênicos" da família, na maioria das vezes, com uma visão que é ao mesmo tempo nosográfica e etiológica. Além da postura cabotina de psicanalistas nos debates midiáticos em torno do PACS, do casamento para todas/todos ou da homoparentalidade, essas análises edificadas acabaram sendo perigosas quando estabelecidas como práticas clínicas ou teorizações acadêmicas. Assim, por exemplo, a própria noção de homossexualidade surge como um "barbarismo", pois, já na acepção terminológica “sexualidade”, derivada do latim “secare”, torna-se obrigatório a escolha de um objeto de status hetero (diferente). Esta noção passa então, alternativamente, a serreferida a uma situação de imaturidade sexual (incapacidade de se integrar ao elo afetivo edípico), a uma regressão pós-edipiana, à síndrome depressiva em busca de compensação narcísica ou à psicose reconstruindo delirantemente a realidade
