Bella Baxter e a ode à vida:: a perspectiva camusiana de absurdo e revolta
Bárbara Raffaelle Carvalho Santos
- Autor
- Bárbara Raffaelle Carvalho Santos
- Revista
- Polymatheia - Revista de Filosofia
- Edição
- 19 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.52521/6djkkz48
- Idioma
- pt
O objetivo deste trabalho é analisar o filme Pobres criaturas a fim de interpretá-lo sob a perspectiva de Albert Camus. Através das obras O mito de Sísifo, As núpcias, O homem revoltado e A morte feliz as cenas do filme serão observadas e discorridas. O intuito será encontrar atitudes frente ao absurdo de revolta e amor à vida. Para esse intento, serão necessárias algumas distinções, como a oposição entre: morte e vida, suicídio e condenação à morte, revolta e ressentimento. Além disso, será preciso desenvolver sobre a definição camusiana de absurdo e os motivos de sua refutação aos saltos metafísicos. A análise do filme levará em consideração a estética vitoriana e retro futurista utilizada nas imagens. Serão comentadas a época utilizada para demarcar a moralidade de submissão do corpo das mulheres e a transição das cores, pois o filme busca delinear as transformações da personagem Bella Baxter através da gradação das cores, como o azul para evidenciar a melancolia, as cenas em preto e branco para ressaltar as primeiras e delimitadas experiências de Bella, o amarelo para o desespero ao vislumbrar o sofrimento. Se explicitará as influências mitológicas e literárias de alguns personagens, além de comparar os personagens com as exemplificações de homens do absurdo realizadas por Camus, por exemplo, a semelhança entre Godwin e o criador absurdo/artista e Bella e o dom-juanismo. Outrossim, por meio de todas essas assimilações se exaltará a interpretação da arte como forma de manter-se lúcido da morte, sem necessariamente recair na invenção de valores universais, ideologias e esperanças vindouras.
