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Bernard Mandeville e o “Leitor Criterioso”

Sylvie Kleiman-Lafon

Autor
Sylvie Kleiman-Lafon
Revista
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea
Edição
10 / 3
Ano
2022
DOI
10.26512/rfmc.v10i3.49606
Páginas
71-90
Idioma
en
2022Sylvie Kleiman-Lafon. Bernard Mandeville e o “Leitor Criterioso”. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, v. 10, n. 3, p. 71-90, 2022.1

Desde a publicação da Fábula das abelhas e sua fórmula vícios privados com benefícios públicos, Mandeville tem sido geralmente considerado como um autor que se deleitava com paradoxos, um mestre da ironia e do sarcasmo. Se ele realmente pretendia soltar as rédeas dos vícios privados – o "laissez faire" do capitalismo desenfreado –, se ele pensava que os pobres não deveriam ter acesso à educação, ou que a prostituição deveria ser institucionalizada, ainda é um assunto de discussão. Se o uso provocador dos paradoxos de Mandeville foi objeto de amplo escrutínio acadêmico, a relação autor-leitor que resulta desse modo de escrita paradoxal tem sido geralmente negligenciada. No presente artigo, desejo mostrar que Mandeville está menos interessado em convencer os leitores da validade de suas posturas morais – ou imorais – do que em guiá-los através do labirinto incerto e desconcertante do pensamento crítico e do autoconhecimento.