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Bioética das verdades e a exceção imanente: sobre política, matemática e ética no sistema filosófico de Alain Badiou

Norman Roland Madarasz

Autor
Norman Roland Madarasz
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
64 / 3
Ano
2019
DOI
10.15448/1984-6746.2019.3.35598
Páginas
e35598
Idioma
es
2019Norman Roland Madarasz. Bioética das verdades e a exceção imanente: sobre política, matemática e ética no sistema filosófico de Alain Badiou. Veritas (Porto Alegre), v. 64, n. 3, p. e35598, 2019.1

O prestígio acadêmico adquirido pela bioética neste último meio século decorre, em parte, do fortalecimento dos espaços de liberdade social nas democracias representativas. No âmbito da ética, criou-se a noção de liberdade, mas sem as formas legalizadas da liberdade a ética não consegue crescer como fonte criativa das normas pelas quais formulam-se as múltiplas formas do juízo moral. Nesta época da pós-verdade e da produção estratégica de mentiras e de ódio políticos, o efeito sobre os sujeitos políticos parece indicativo de carência psicológica, educacional e sobretudo econômica. Diante este cenário, faz-se importante reconsiderar o afastamento da teoria da verdade como “filtro” dos discursos e das orientações políticas produzidas pela ética. A tarefa que  se coloca à filosofia é a de estender a força conceitual e discursiva da bioética para contemplar formas de subjetividade em ruptura com uma estrutura de Estado produtora de injustiça. Para tanto, analisamos criticamente a proposta de uma bioética das verdades, filtro separador no sistema de Alain Badiou pelo qual se organiza a relação entre ontologia, fenomenologia e as condições históricas de produção de verdades.