BOLOTIN, David. An Approach to Aristotle's Physics (with particular attention to his manner of writing)
Lucas Angione
- Autor
- Lucas Angione
- Revista
- Educação e Filosofia
- Edição
- 16 / 31
- Ano
- 2008
- DOI
- 10.14393/REVEDFIL.v16n31a2002-687
- Páginas
- 183-190
- Idioma
- pt
O estilo dos escritos aristotélicos apresenta grandes dificuldades para os intérpretes. Até meados do século passado, predominava a visão de que Aristóteles teria escrito verdadeiros tratados, cuja configuração interna obedecia ao claro objetivo de expor teses em argumentos limpidamente ordenados, que pudessem ser lidos e compreendidos por qualquer leitor. Mas esse retrato veio paulatinamente se esboroando. Inicialmente, flagrantes contradições no presumido “sistema” vieram a pôr em dúvida a unidade e coerência interna de alguns destes tratados. Não obstante, continuava-se ainda a acreditar num modo de exposição similar a um tratado moderno: as contradições atestariam apenas a esquizofrenia platônico-asclepíada de Aristóteles, indeciso (e inconsistente) entre sua tendência racionalista e sua tendência empirista. Aos poucos, no entanto, parâmetros mais refinados de exegese permitiram retornar a uma percepção que de certo modo, já estava presente nos comentadores gregos e medievais. A saber: ainda que tenha escrito obras unificadas por objetivos e horizontes claramente determinados, Aristóteles nos exibe um estilo argumentativo parcimonioso, elíptico, às vezes cabalmente obscuro, de modo que dificilmente poderíamos imaginá-lo como um escritor que, expondo suas teses, estaria pensando na legibilidade de seus escritos para um leitor qualquer – o próprio título da Física, Physike Akroasis, deixa clara a percepção antiga de que o texto apresentava um “curso” destinado aos colaboradores de Aristóteles. [...] Palavras-chave: Filosofia Antiga; Aristóteles; Física de Aristóteles.
