- Autor
- Lucas Taufer
- Revista
- PÓLEMOS – Revista de Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília
- Edição
- 11 / 23
- Ano
- 2022
- DOI
- 10.26512/pl.v11i23.44667
- Páginas
- 141 - 157
- Idioma
- pt
A finalidade deste ensaio é apresentar alguns aspectos da ética utilitarista de John Stuart Mill que contribuem para o debate sobre razões para agir. Apresentamos nossos argumentos a partir do exame dos capítulos “O que é utilitarismo” e “Da sanção última do princípio de utilidade”, ambos oriundos de seu “Utilitarismo”. Nossa tentativa está composta em três momentos, sendo que nos dois primeiros buscamos reconstruir o argumento respectivamente apresentado pelo filósofo vitoriano, e, tendo isto sido realizado, intentamos expor e direcionar algumas das reflexões ali inscritas que, de acordo com nosso julgamento, possivelmente sejam problematizadas nas discussões sobre a estruturação da agência humana. Sinteticamente, defendemos que para Stuart Mill a racionalidade no agir constitui-se em que: se a felicidade é o bem maior, os indivíduos agem em prol de sua felicidade, e em razão disso, buscam o seu próprio bem; sem embargo, por não ser uma perspectiva relativa ao agente, e sim de neutralidade neste sentido, esse raciocínio há de ser estendido para o âmbito geral, sendo assim compreendida a felicidade, ainda que desígnio de toda ação individual, enquanto felicidade geral e não apenas autorrealização subjetiva de um determinado ente humano. As ações, portanto, que no domínio pessoal não visam outra coisa senão a felicidade ou o bem do próprio indivíduo, têm uma justificação racional para serem guiadas conforme aquilo que promove o bem ou a felicidade geral, caracterizando assim o princípio da utilidade como regra moral e razão para agir, porquanto padrão de ação da humanidade.
