CAIXA-PRETA DA NAU FILOSÓFICA : A FICÇÃO CIENTÍFICA COMO FOTOGRAFIA DESCRITIVA
Diego Chabalgoity
- Autor
- Diego Chabalgoity
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 49
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i49.10260
- Páginas
- 121-131
- Idioma
- pt
Esse artigo tem como objetivo contribuir para reflexões sobre o papel e os alcances da ficção científica na popularização de conhecimento. Como recorte e exercício de fundamentação, situa esse gênero ficcional como fotografia descritiva, buscando na filosofia da fotografia flusseriana elementos que auxiliem no entendimento crítico – que não dicotomiza técnica e estética - dos limites entre conhecimento e ficção. Na ficção científica temas filosóficos que movem seres humanos por milênios, como metafísica, ontologia, ética e política, se somam a uma das características mais cativantes desse gênero literário: o oferecimento de alternativas civilizacionais. Na primeira parte apresentamos os conceitos de tecnoimagem e caixa-preta, relacionando-os ao contexto atual em que o enorme avanço da tecnologia influencia de forma nunca antes vista a ficção audiovisual, criando espaços inéditos para a consubstanciação de ficções em teoria. Na segunda parte apresentamos a diferença entre fantasia e ficção científica traçando um paralelo entre a materialidade implicada no desvelar da caixa-preta e o caminho em que a ficção científica decodifica o conhecimento em ficção para transformar a ficção em conhecimento. Na conclusão sugere algumas questões de perspectiva a serem enfrentadas em investigações que busquem se fundamentar na filosofia da fotografia em Flusser, considerando nossa sociedade tecnocentrada.
