CONFRONTO COM A MORTE EM MEIO À INAUTENTICIDADE: aproximações entre a literatura machadiana e a filosofia de Heidegger
André Luiz de Souza Sampaio
- Autor
- André Luiz de Souza Sampaio
- Revista
- PÓLEMOS – Revista de Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília
- Edição
- 12 / 26
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.26512/pl.v12i26.48614
- Páginas
- 359 - 374
- Idioma
- pt
Em Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, o personagem que dá título ao romance revela-se como uma ilustração do que Martin Heidegger, em sua ontologia de Ser e tempo, interpreta como inautenticidade. E essa vida inautêntica, em que o ser-aí se aliena de si mesmo, permitindo-se tutelar pelos outros, decai, no contexto narrativo, em outra condição: a do afastamento da possibilidade de ser-para-a-morte, categoria que reflete a consciência do ser humano diante de sua finitude. Tal consciência poderia demover Cubas da trajetória por ele perseguida, mas, como se examinará, não é isso que seu arco narrativo apresenta. No presente ensaio, por meio de uma investigação bibliográfica voltada ao texto machadiano e a teses heideggerianas, se procederá a uma leitura literário-filosófica centrada no ser ficcional como referencial da explanação ontológica que se vincula à noção de mortalidade.
