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COSMOLOGIA SERTANEJA: COMENTÁRIO SOBRE O FILME SOB DITAME DE RUDE ALMAJESTO (SINAIS DE CHUVA), DE OLNEY SÃO PAULO

Yves São Paulo, Claudio Cledson Novaes

Autor
Yves São Paulo, Claudio Cledson Novaes
Revista
Revista Ideação
Edição
1 / 52
Ano
2025
DOI
10.13102/ideac.v1i52.11477
Páginas
364-381
Idioma
pt
2025Yves São Paulo, Claudio Cledson Novaes. COSMOLOGIA SERTANEJA: COMENTÁRIO SOBRE O FILME SOB DITAME DE RUDE ALMAJESTO (SINAIS DE CHUVA), DE OLNEY SÃO PAULO. Revista Ideação, v. 1, n. 52, p. 364-381, 2025.4

Em 1976, Olney São Paulo voltou à sua cidade natal de Riachão do Jacuípe para filmar, na roça de seu irmão mais novo, aquele que talvez seja seu documentário mais pessoal. Diferente de suas outras obras documentais que utilizam o recurso de um narrador em off que tudo sabe e nos ensina, este filme acompanha uma narração sendo feita pelas próprias personagens, sertanejos que descrevem seus recursos de como prever as épocas de chuvas ao longo do ano e que conversam num diálogo sendo travado numa roda. Esta curta-metragem é inspirada numa crônica de Eurico Alves Boaventura, editada anos antes por Olney São Paulo na revista Sertão, mas traz particulares diferenças, especialmente na sua tomada de diferenciação sobre quem deveria ser o narrador. No presente artigo, busco interpretar o desenvolvimento de um pensamento sertanejo a partir de suas observações e técnicas para prever as chuvas, e como estes sinais aprendidos apontam para uma unificação do todo cosmológico. A filosofia do sertanejo descrita pelo Almajesto de Olney São Paulo como possuindo correlação entre os grandes eventos do cosmos (o movimento da Lua e das estrelas) com as pequenas transformações aqui na terra (a criação de asas das formigas e dos cupins, a criação de flores pelo mandacaru).