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Crítica da tecnologia como metafísica: reflexão sobre a narrativa pós-natureza do antropoceno

Tales Tomaz

Autor
Tales Tomaz
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
65 / 1
Ano
2020
DOI
10.15448/1984-6746.2020.1.36679
Páginas
e36679
Idioma
pt
2020Tales Tomaz. Crítica da tecnologia como metafísica: reflexão sobre a narrativa pós-natureza do antropoceno. Veritas (Porto Alegre), v. 65, n. 1, p. e36679, 2020.1

Este texto propõe uma crítica da tecnologia conforme abordada na narrativa pós-natureza do antropoceno. Para essa narrativa, também chamada de pós-ambientalismo, o antropoceno é o momento histórico em que fica clara a impossibilidade de uma noção idealizada da natureza, distinta da intervenção humana. Neste texto, argumenta-se que, embora tenha méritos no questionamento de aspectos cruciais do pensamento moderno, essa narrativa tem também problemas teórico-conceituais significativos derivados da centralidade atribuída à mediação técnica, que acaba convertendo-a em uma espécie de metafísica. A exposição das teses da narrativa pós-natureza do antropoceno se dá a partir do diálogo com textos de ativistas do pós-ambientalismo, como Michael Shellenberger e Ted Nordhaus, e de pensadores que fornecem a essa corrente o fundamento teórico-conceitual, como Bruno Latour e Peter Sloterdijk. A crítica se ampara na argumentação dos filósofos contemporâneos Dieter Mersch e Andreas Luckner, que desdobram ideias já sinalizadas por Martin Heidegger e indicam caminhos para compreender os limites de perspectivas metafísicas sobre tecnologia.