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CUIDADO DE SI, PRÁTICAS DE SI CONTEMPORÂNEAS E DISCURSOS DE AUTOAJUDA: UMA LEITURA FOUCAULTIANA

Estéfani Dutra Ramos

Autor
Estéfani Dutra Ramos
Revista
Sapere Aude
Edição
7 / 13
Ano
2016
DOI
10.5752/P.2177-6342.2016v7n13p240
Páginas
240-255
Idioma
pt
2016Estéfani Dutra Ramos. CUIDADO DE SI, PRÁTICAS DE SI CONTEMPORÂNEAS E DISCURSOS DE AUTOAJUDA: UMA LEITURA FOUCAULTIANA. Sapere Aude, v. 7, n. 13, p. 240-255, 2016.2

A proposta deste artigo é refletir sobre os vínculos existentes entre os temas do cuidado de si, das práticas de si contemporâneas e das influências dos discursos de autoajuda na formação das subjetividades. Partindo das leituras de Foucault sobre o cuidado de si e da sua volta aos filósofos antigos para compreender tal tema, nosso objetivo é evidenciar a aproximação da ideia de cuidado de si a práticas de si contemporâneas expressas em um conjunto de habilidades, atitudes e comportamentos a que os sujeitos se submetem com o intuito de serem felizes e bem sucedidos. Nessa esfera, tais práticas estariam, segundo Foucault, muito distantes do cuidado de si pensado, por exemplo, na filosofia socrática, platônica ou estoica em que o cuidado era exercido como condição ao desenvolvimento das virtudes visando não estritamente o aprimoramento de si, mas o cuidado com o outro. Pensado nos dias de hoje, esse cuidado é praticado por meio do autoconhecimento e do auto exercício que são imprescindíveis ao investimento que o indivíduo deve fazer sobre si na busca daquilo que é compreendido como sucesso profissional e felicidade. Obviamente, tais ações são motivadas por discursos que, além de auxiliarem no aprimoramento do eu, influenciam diretamente na formação das subjetividades. É nesse sentido que os discursos de autoajuda transformam o ideal de cuidado de si em práticas de si extremamente individualizadas. Diante do exposto, nosso interesse é analisar como Foucault delineia a noção de “cuidado de si” para pensarmos, por fim, como esse cuidado é assumido pelos discursos de autoajuda que o reduzem a técnicas de si que incidem, por ora, na formação de subjetividades cujo êxito é o fim a ser perseguido pelos indivíduos em nossa contemporaneidade.