- Autor
- Leonardo Masaro
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 19
- Ano
- 2018
- DOI
- 10.36517/Argumentos.2018.19.32028
- Idioma
- pt
Num de seus últimos textos1, Theodor Adorno (ADORNO e HORKHEIMER, [1968], 1973) constata uma transformação do fenômeno da ideologia com o advento da sociedade totalmente administrada, apontando para a obsolescência da conceituação marxiana clássica e, indiretamente, também para a lukácsiana. Segundo ele, a ideologia não se apresenta mais como o véu que recobre a realidade, ocultando a dominação sob justificativas falsamente universais, mas como a própria realidade congelada numa imagem fixa, dominação tornada transparente e naturalizada como “o jeito que as coisas são”. O objetivo deste artigo é expor como Adorno chega a esta nova conceituação do que é a ideologia, fortemente calcada em seus estudos sobre a propaganda e a personalidade fascistas e sobre o sistema da indústria cultural, entendidos ambos como os principais esquemas organizadores da cultura de massa e responsáveis por uma nova modalidade de reificação da consciência, na qual o que importa é antes a satisfação libidinal proporcionada pela forma específica de relação dos sujeitos com o material ideológico consu- mido do que o conteúdo nele expresso.
