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De um mundo a outro, estranhas similitudes: Ensaio de um questionamento missionário

Melina Guedes Lins

Autor
Melina Guedes Lins
Revista
Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211]
Edição
5 / 11
Ano
2021
Idioma
pt-BR
2021Melina Guedes Lins. De um mundo a outro, estranhas similitudes: Ensaio de um questionamento missionário. Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211], v. 5, n. 11, 2021.1

Controversa e enumeração. Montaigne é adorador de ambas, mas cada uma em seu lugar e em sua forma (seja oral ou escrita). O lugar das controversas é, em seu mais amplo sentido, a escola. Descobri-las publicamente perturba as consciências e quiçá suscita massacres ao atingir a teologia e a religião. A menos que, como foi o caso em Isny, sejamos acompanhados de membros de diferentes confissões capazes de “conferir” com rigor: Montaigne se envolve então de bom grado em uma troca contraditória sobre os temas do ubiquismo e da presença real, como também busca, durante sua viagem, o “comércio” de jesuítas e rabinos com quem ele possa dialogar e altercar os pontos de vista. Redigir controversas é, contudo, outra tarefa! Sobretudo quando destinadas à publicação. Certamente, o autor dos Ensaios toma partido, como verdadeiro militante, sempre que a crueldade está em jogo. Tal é o caso quando, por exemplo, fustiga a conduta dos colonizadores do Novo Mundo ou incita os juízes das bruxas a maior circunspecção. No entanto, fora tais casos que colidiriam com sua sensibilidade e consciência, ele anuncia sua opinião (“advis”) – ou melhor sua conversa ou bate-papo (“devis”) – de maneira superficial, sobre assuntosque ele discute mais prontamente e prolongadamente na esfera privada e no âmbito da oralidade: traduções da Bíblia , pluralidade dos mundos, heliocentrismo, nova medicina etc. Sua obra escrita não deixa, contudo, de abordar à sua maneira as controvérsias de seu tempo, ou seja, “por algum viés”.