Democracia, Secularismo e Religião em Jürgen Habermas e Charles Taylor
Juliano Cordeiro Oliveira
- Autor
- Juliano Cordeiro Oliveira
- Revista
- Revista Helius
- Edição
- 2 / 1
- Ano
- 2019
- Páginas
- 127-151
- Idioma
- pt
O artigo discute o problema do diálogo entre secularismo e religião em Jürgen Habermas e Charles Taylor. Segundo Habermas, as religiões possuem intuições morais que podem colaborar nos debates públicos, desde que traduzam suas intuições essenciais para uma linguagem pública e secular. Já para Taylor seria ilusória a tentativa de estabelecer uma prioridade de um discurso (secular, por exemplo) frente a algum outro. Taylor criticará uma forma de secularismo que exclui a religião como instância essencial na formação das identidades dos sujeitos, tal qual uma fonte de sentido indispensável para diversas vidas. Aqui se encontra o ponto exato de discordância entre os filósofos: Habermas debate a partir da ética do justo e do pós-secularismo, à luz de Kant; e Taylor a partir de certa tradição hegeliana e comunitarista, a ética do bem. Taylor não aceitará a exigência obrigatória de argumentações secularizadas nos debates públicos, pois nem todas as sociedades passaram por processos de secularização, em que as identidades de tais sujeitos não foram formadas à luz de uma visão de mundo secular. Habermas, por sua vez, defende que são fundamentais os procedimentos deliberativos, e não propriamente um determinado conceito de vida boa ou conteúdos valorativos de uma determinada tradição ou religião, como há em Taylor, que enfatiza a existência de múltiplas modernidades, uma vez que culturas não ocidentais foram modernizadas à sua maneira. Já Habermas destaca que a separação entre discursos religiosos e seculares é essencial quando buscamos normas justas dentro de um horizonte cada vez mais pluralista e diferenciado.
